É indubitável que em todos os países da Europa podemos comer as mesmas pizas, pitas shoarmas e hambúrgueres. Conto pelos dedos de uma mão as pessoas que conheço que não gostam de pelo menos um destes elaborados pratos. No entanto, mais importante ainda para quem está fazer interrail que a questão “será que existe vida para além da morte” é “será que existe forma de comer barato e bem para além de hambúrgueres, pita shoarma e piza? “
Comecei a minha viagem em Barcelona onde consegui demorar 2 horas para encontrar um restaurante onde pudesse comer umas tapas de preço acessível. Já era tarde, a pesquisa não estava a correr bem e acabámos por nos sentar num restaurante que apresentava um menu à porta de tapas com preços minimamente aceitáveis.
O restaurante transpirava gordura e o empregado (provavelmente revoltado por ter emprego nos tempos que correm), dirigiu-se a nós (três jovens) com um ar zangado e pouco amigável. Atirou-nos à cara umas palavras em espanhol que presumimos ser “O que desejam beber?” e deixou em cima da mesa dois menus.
Não explorando a gordura que estava entranhada nos menus e as fotografias dos pratos, tiradas provavelmente com um telemóvel de 1ª geração, é de notar o calor que se fazia sentir intensamente na sala de jantar. Sim, havia uma ventoinha, mas parecia que ninguém se importava com a intensidade da energia térmica. Acabei por me levantar e ir ligá-la, o que me brindou com sorrisos de vários turistas que destilavam enquanto comiam pizas e raviolis.
Será possível que esteja a ouvir bem, pensei quando o empregado nos diz, num espanhol quase imperceptível, “Se querem comer bem e barato, optem por uma piza, uma massa carbonara ou uns raviolis de carne e legumes”. Este era um dos momentos em que gostava de confrontar algum responsável por aquele país e perguntar-lhe “Como é possível promoverem a comida italiana quando têm uma panóplia de pratos tão ricos e tão típicos do vosso pais?”
Como não havia responsável pelo restaurante presente, muito menos havia responsável pelo país, optámos por: “Traga-me uns calamares, umas batatas-doces e um presunto serrano”.
Deviamos ter optado por seguir o conselho amigo do empregado, pois não só conseguimos pagar uma conta calada, como também os calamares estavam rijos e oleosos, a batata-doce estava demasiado salgada e o presunto parecia cortado pelo Tio Zé que tem uma tasca e vende um presunto muito bom para quem não gosta de presunto.
Devias experimentar filetes de pescada com arroz de tomate...
ResponderEliminarJVM
sem dúvida!
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